Líderes do setor produtivo, de grandes empresas e de entidades do Oeste participaram de videoconferências, nesta semana, com os senadores Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, dois dos três que representam o Paraná no Senado. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Caciopar, Reni Fernande Felipe, que abriu a palavra para que as mais diferentes manifestações fossem feitas, justamente para que os parlamentares possam ter uma visão ampla dos problemas e principalmente dos prejuízos que a redução da jornada de 6×1 para 5×2, já aprovada pela Câmara Federal, poderá trazer à economia nacional – a matéria está em análise no Senado.
O presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, destacou que a mudança para a cooperativa, caso confirmada, aumentará sua necessidade de mão de obra em 2,5 mil funcionários. Atualmente, ela tem 27 mil trabalhadores e conta com 1,7 mil associados na cadeia do frango, suíno e peixe. “Já temos deficiência de 800 funcionários e com essa lei, a situação ficará ainda mais difícil, porque essa mão de obra não existe”. O superintendente da Lar, Jair Meyer, informou que, com a redução, o abate da cooperativa terá de ser reduzido em pelo menos cem mil aves dia – hoje, ela abate 1,3 milhão/dia. A produtividade deverá cair 10% e o custo aumentará 12%.
Menor poder de compra
“O impacto da mudança da jornada é gigantesco no setor produtivo e quem está decidindo sobre isso, em Brasília, não estão tendo uma visão macro de todos os prejuízos que essa medida trará”, comentou Jair. O diretor da Indústria da Caciopar, Marcos Frazão, disse que a medida, diferente do que anunciam os que a apoiam, vai reduzir o poder de compra dos trabalhadores. “Haverá queda de produção, mais inflação e menos dinheiro para o consumo. Países que adotaram essa postura se prepararam durante anos para isso. Diferente do Brasil, que tem baixa produtividade, problemas de infraestrutura e uma das maiores taxas de juros do mundo”.
Por sua vez, o presidente da Acic, Marcio Blazius, defendeu que uma mudança dessa envergadura não pode ser aprovada sem o devido debate, amadurecimento e preparo. Caso venha mesmo a vigorar, então o governo precisará ajudar a pagar a conta, e não simplesmente transferir a responsabilidade para as empresas, aos trabalhadores e à economia. Outro setor bastante impactado será o dos supermercados, que pensam inclusive, para enfrentar as consequências da novidade, em abrir mais tarde e fechar as lojas mais cedo, comentou Genesio Pegoraro, que falou em nome da Apras (Associação Paranaense dos Supermercados). Hoje, o setor já enfrenta dificuldade para encontrar mão de obra e a situação vai se agravar ainda mais, com substancial elevação de custos.
Pequenos sofrerão mais
O diretor Tributário da Faciap, William Madruga, lembrou que os pequenos empresários serão seriamente atingidos. Na média, para as empresas de porte maior, o impacto ficará entre 9% e 12%, mas para os pequenos a conta poderá subir em até 40%. Caso a lei realmente seja aprovada e implementada, acrescentou Madruga, o governo precisará agir urgentemente para o aumento da produtividade, e entre as medidas para isso estão disponibilizar mais tecnologia, elevar e criar novas linhas de crédito com juros baixos para as pequenas empresas.
Pela Associação Nacional da Panificação falou o empresário Gilberto Bordin, destacando que são cerca de 120 mil padarias em atividade no Brasil, com 2,7 milhões de empregos gerados, desses 1,5 milhão diretos. Bordin afirmou que, com a alteração pretendida pelo governo, essas empresas não terão como fazer ajustes tão drásticos em suas escalas de trabalho em tão pouco tempo, conduzindo ao substancial encarecimento dos produtos comercializados pelo setor, que é praticamente artesanal e depende muito de mão de obra.
Péssimo exemplo
O ex-presidente da Caciopar, Lucas Eduardo Ghellere, fez alusão às mensagens negativas que o governo passa para o mercado. O governo está desacreditado, endividado, bancando uma taxa de juros das mais elevadas do mundo, que praticamente inviabiliza a atividade econômica. Agindo dessa forma, sem cuidar das contas públicas e exigindo tanto do pagador de impostos, o governo sucateia setores importantes e estratégicos para a economia nacional. Citou também o quadro das estatais deficitárias, cortes em investimentos em áreas essenciais, como Defesa e Educação, e ausência de caixa para investimentos em infraestrutura.
O empresário Khaled Nakka tocou em outro ponto importante. Atualmente, há funcionários que fazem hora-extra e fortalecem seus salários com isso. Com a nova jornada, há tendência de redução ou fim desse mecanismo, com diminuição brusca de ganhos aos trabalhadores. Oriovisto se posicionou a favor da sugestão da Caciopar e dos líderes que participaram das reuniões, para que o tema, devido à sua importância e complexidade, não seja discutido nem aprovado em ano eleitoral. Flavio Arns, por sua vez, garantiu que todos os apontamentos feitos serão enviados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. As próprias assessorias dos senadores reconhecem que os prazos de vigência da nova lei, de 60 dias para redução de 44 para 42 horas, e um ano para chegar a 40 horas semanais, é impraticável.
Crédito: Assessoria

