A entrada em vigor das mudanças da NR-1, na última terça-feira, 26, que passam a exigir das empresas a inclusão dos fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, começa a transformar a forma como organizações lidam com saúde e segurança no trabalho. O tema esteve entre os principais assuntos debatidos em recente reunião empresarial promovida pela Caciopar, na Acisa, em Santa Helena, com apresentação do engenheiro de Segurança do Trabalho Jozival Matias.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, por meio da Portaria 1.419/2024, amplia o alcance das responsabilidades empresariais ao determinar que fatores como estresse excessivo, assédio moral, metas abusivas, sobrecarga, jornadas desgastantes e ambientes organizacionais tóxicos passem a integrar oficialmente os Programas de Gerenciamento de Riscos.
A saúde mental deixa de ser tratada como um tema secundário ou comportamental e passa a assumir espaço estratégico dentro das políticas de segurança ocupacional. Segundo Jozival, os riscos psicossociais sempre existiram nas empresas, mas agora passam a ser reconhecidos pela legislação trabalhista. A nova redação da NR-1 não cria um novo problema, mas obriga as organizações a enxergar de forma técnica e preventiva situações que já impactam produtividade, clima organizacional, afastamentos e desempenho das equipes.
Controle
A norma determina que todas as empresas, independentemente do porte ou segmento, façam a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Entre os fatores considerados críticos estão pressão excessiva por resultados, falta de reconhecimento profissional, jornadas imprevisíveis, conflitos interpessoais, ausência de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e situações de assédio ou discriminação.
A legislação não busca analisar a vida pessoal ou a condição emocional individual dos trabalhadores, mas as condições organizacionais que podem gerar sofrimento psíquico e adoecimento mental. As empresas também precisarão manter registros documentais das ações implementadas, promover treinamentos contínuos, revisar periodicamente os processos internos e criar mecanismos preventivos, como canais de escuta, políticas de apoio e programas de capacitação de lideranças.
Alerta
Um dos alertas de Jozival foi para que os empresários não tratem a nova NR-1 apenas como mais uma obrigação burocrática. Segundo ele, a principal mudança está na necessidade de as empresas observar com mais profundidade o ambiente organizacional e os impactos que determinadas práticas de gestão provocam sobre as equipes. Merecem atenção especial metas excessivas, falta de planejamento das jornadas, comunicação inadequada, ausência de reconhecimento profissional e lideranças despreparadas.
O engenheiro disse que a adequação não deve se limitar à aplicação de questionários internos. As organizações precisam observar indicadores concretos, como aumento de afastamentos, rotatividade elevada, conflitos recorrentes, queda de produtividade e desgaste emocional das equipes. Jozival ressaltou que empresas que começarem, desde já, a estruturar ações preventivas terão mais facilidade de adaptação, reduzindo riscos trabalhistas, impactos financeiros e prejuízos à imagem institucional.
Crédito: Assessoria
