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Debate sobre gargalos da infraestrutura e logística mobiliza lideranças de entidades do Paraná no Show Rural

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) promoveu, nesta terça-feira (10), em Cascavel, uma reunião estratégica com lideranças empresariais e representantes de entidades do Oeste e de todo o estado para debater os principais desafios da infraestrutura logística e energética do setor produtivo. O encontro integrou a programação do Show Rural Coopavel e teve como foco a competitividade e a sustentação do crescimento econômico regional.

A reunião reforçou o papel do diálogo institucional e da articulação regional na busca por soluções estruturantes. Foram apresentados panoramas atualizados sobre concessões rodoviárias, modal ferroviário e fornecimento de energia, temas considerados centrais para a indústria, o agronegócio e as cooperativas da região.

 

Rodovias

O presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos, destacou o acompanhamento técnico das concessões rodoviárias e os impactos diretos para os usuários e para a economia do estado. “O Observatório dos Pedágios fez aniversário e mostramos o acompanhamento que temos feito inclusive dos aditivos que estão acontecendo e de uma grande luta que começou aqui na região, de ser contrário à outorga onerosa e ao limite de desconto”, disse. “Nós sempre falávamos que isso traria um prejuízo direto ao usuário, à região e ao estado. Isso foi precificado, com R$ 9,5 bilhões de economia direta ao usuário ou em depósito que está no estado”, afirmou.

Ele também ressaltou a preocupação do setor produtivo local em relação às tarifas de pedágio praticadas na região. Nesse ponto, Vasconcelos defendeu a participação do poder público na busca por soluções que reduzam os custos para os usuários. “Precisamos que os governos entrem nesse assunto e subsidiem alguma obra para que haja um distensionamento dos valores das tarifas, porque há aqui um custo tarifário 70% maior do que em outras regiões”, afirmou. Também foi destacada a necessidade de que as lideranças regionais monitorem permanentemente o cronograma de execução das obras previstas nas concessões.

 

Ferrovias

Outro ponto da discussão foi o modal ferroviário, considerado estratégico para o escoamento da produção do Oeste paranaense. Vasconcelos ressaltou a importância dos debates em relação ao processo licitatório da Malha Sul, que deve ocorrer em dezembro, com audiências públicas previstas para os próximos meses. Uma questão que influencia inclusive na operação da Ferroeste, que hoje liga Cascavel a Guarapuava.

 

“No modal ferroviário, mostramos que há uma licitação acontecendo em dezembro, que envolve o estado do Paraná, extremamente importante para a nossa região, porque ela desencadeia a solução da Ferroeste”, disse o presidente do Sistema Fiep.

 

Energia

A matriz energética também ocupou espaço relevante no debate. Apesar de o Paraná se destacar como produtor de energia, Vasconcelos alertou para gargalos na transmissão e na distribuição, que já impactam o ritmo de crescimento regional. “O Paraná é um dos maiores produtores de energia sustentável do mundo, mas isso não significa que ela está sendo levada ao usuário de forma adequada. Nós temos uma deficiência em infraestrutura energética, de transmissão e distribuição”, pontuou.

O encontro também contou com as presenças dos presidentes das Federações da Agricultura (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, das Cooperativas (Ocepar), José Roberto Ricken, e das Associações Comerciais (Faciap), Flávio Furlan. “Muitos dos nossos produtores hoje trabalham com piscicultura, suinocultura, aves, leite. Então, quando não há um religamento dessa energia, o que acontece? A perda total da produção”, ressaltou Meneguette. “Então a gente está cobrando que a concessionária seja muito mais efetiva. Fizemos uma reunião do G7 já, juntamente com o presidente da Copel e com a sua diretoria, cobramos ações de curtíssimo, médio e longo prazo, e estamos trabalhando em conjunto”, completou.

 

“Logística é fundamental, onde nós estamos hoje perdendo parte da nossa produtividade”, acrescentou Ricken. “Saber produzir nós sabemos, ter mercado nós temos, demanda nós temos e nós temos todas as condições. Então nós temos que nos unir, iniciativa privada, governo, todas as entidades para que a gente force, inclusive junto ao governo federal, para que tenhamos uma logística que nós merecemos”.

 

Para Furlan, mobilizações como a desta terça mostram também à população que o setor produtivo está em busca de soluções. “O importante é as pessoas, a população aqui do Oeste, entender que nós estamos olhando para isso. Nossa região vem crescendo muito além do que a Copel se propõe a fazer de investimentos, então a importância maior da discussão é priorizar aquilo que efetivamente a gente tem mais pressa para poder continuar crescendo de forma exponencial”, declarou.

 

Quem também esteve presente na reunião foi o deputado federal Pedro Lupion, que preside a Frente Parlamentar da Agricultura. “O debate de infraestrutura do nosso estado é essencial. Isso está diretamente ligado ao custo de produção, à competitividade dos nossos produtos, dos nossos agricultores”, disse. “O assunto é espinhoso, mas a gente precisa buscar soluções e entendimento. Precisamos, com a agricultura de primeiro mundo, com a agropecuária de primeiro mundo, com a competitividade que nós temos, ter também uma infraestrutura de escoamento e de produção que seja condizente com a nossa capacidade produtiva”, acrescentou.

 

Entre outras lideranças, participaram também do encontro o presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar), Reni Fernande Felipe, e o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Cascavel (Codesc), Ricardo Lora, que é diretor da Fiep.

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