Um dos temas centrais da recente programação da Reunião Empresarial da Caciopar, na Acisa, em Santa Helena, foi o debate sobre o fim da escala 6×1 e seus reflexos na economia brasileira. O assunto foi detalhado pelo diretor Tributário da Faciap, William Madruga, que acompanha de perto os desdobramentos de um assunto que deverá trazer forte reflexo na economia, redução do poder de compra dos trabalhadores e aumento de custos e inflação.
Com a palestra O fim da escala 6×1 — Entre a propaganda e o impacto real, William afirmou que a aprovação do tema pelo Congresso Nacional é considerada praticamente irreversível. Segundo ele, diante desse cenário, é fundamental que os empresários compreendam o que poderá mudar nos próximos anos e quais serão os impactos diretos nas operações das empresas.
Madruga mostrou números relacionados à produtividade brasileira e comparativos internacionais. Destacou que o Brasil ocupa atualmente a 94ª posição entre 184 países em produtividade, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho. Enquanto a produtividade média brasileira gira em torno de US$ 21 por hora trabalhada, países como Japão e Estados Unidos alcançam índices muito superiores, a exemplo da Alemanha com US$ 80.
William observou que o problema brasileiro não está na jornada de trabalho, mas na baixa produtividade. Segundo ele, países com jornadas menores conseguem produzir muito mais, o que evidencia um desequilíbrio estrutural da economia nacional. Ele chamou atenção para a velocidade de tramitação da proposta. Enquanto uma PEC normalmente leva de quatro a seis anos para avançar no Congresso, a proposta atual do 6×1 avançou em aproximadamente 15 meses, em um ritmo quatro vezes mais rápido que a média histórica.
O diretor de Tributários da Faciap lembrou que mais de 80% do estoque de empregos do País está concentrado nos pequenos negócios, responsáveis por cerca de 97% das ocupações com carteira assinada. Segundo ele, embora todos os setores sejam afetados, o peso maior recairá justamente sobre quem possui menor capacidade financeira e operacional.
Para ilustrar, ele utilizou o exemplo de pequenas empresas que dependem do funcionamento aos sábados para manter o faturamento. A necessidade de contratação de novos funcionários para cobrir escalas poderá elevar significativamente os custos operacionais, pressionando margens, aumentando preços ou até estimulando informalidade e fechamento de empresas.
Inviabilidade
O presidente da Frimesa, Elias Zydek, comentou sobre as consequências do fim da jornada de 44 horas. Ele criticou medidas que, segundo sua avaliação, possuem viés político e são discutidas sem o aprofundamento necessário, e sem conexão com a realidade do País. Elias afirmou que decisões como o fim da escala 6×1, somadas ao aumento constante de custos e da carga tributária, estão levando a economia brasileira a um cenário de extrema dificuldade. Segundo ele, as empresas vêm sofrendo forte achatamento das margens de lucro, enquanto os custos ao consumidor continuam aumentando e a arrecadação pública segue crescendo. “O Brasil está caminhando, a passos largos, para a inviabilidade”.
Reforma
William também abordou os impactos paralelos da Reforma Tributária, principalmente nas entidades representativas e associações comerciais. Informou que houve avanço importante ao garantir-se que mensalidades associativas não tenham incidência de IBS e CBS. Por outro lado, explicou que serviços prestados pelas entidades terão incidência dos novos tributos. A recomendação dele foi para que empresários e dirigentes conversem com seus contadores para entender os efeitos das mudanças e se preparar para o novo modelo tributário.
Crédito: Assessoria

