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CACIOPAR

Três das mais importantes entidades empresariais do
País, e que pertencem ao mesmo sistema, assinam documento no qual defendem
argumentos pela reforma política. O texto que foi enviado a autoridades
políticas e a representantes de forças organizadas do setor produtivo foi
elaborado em parceria pela CACB (Confederação das Associações Comerciais e
Empresariais do Brasil), Faciap (Federação das Associações Comerciais e
Empresariais do Paraná) e pela Caciopar (Coordenadoria das Associações
Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná).

No documento, as entidades falam da situação de
dificuldades do País, da crise e dos problemas que conduziram à época de
maiores desafios da história nacional. Na questão político-partidária está a
origem de boa parte dos problemas do Brasil, agravados com o excesso pelo
partidos, pela corrupção e com a falta de visão estadista dos homens públicos.

Na reforma política, CACB, Faciap e Caciopar defendem,
entre outros pontos, a redução do número de partidos e o fim da reeleição.
Acompanhe a íntegra do documento:

Carta aberta às instituições, aos líderes e aos
brasileiros

Entidades, empresários e líderes de setores organizados acompanham com
preocupação as sérias oscilações políticas, econômicas e éticas que o Brasil
enfrenta principalmente nos últimos anos. Essas e outras posturas fazem do País
um modelo atípico no mundo, que não consegue se livrar de problemas que há
muito deveriam estar superados para que ele pudesse então, de forma consistente
e unida, melhorar seus indicadores de desenvolvimento econômico e social.

A percepção de que as entidades e os cidadãos precisam se envolver mais
decididamente em assuntos de interesse coletivo é cada vez mais clara. E isso
já ocorre, mesmo que timidamente. No entanto, o processo de construção cidadã,
que deveria ser cultural e antiga, avança a passos miúdos e, às vezes, uma
pequena e demorada conquista na direção correta é engolida por um salto rápido
e impiedoso no sentido oposto. O Brasil reúne todas as condições para se
transformar em uma grande nação, justa, com respeitáveis indicadores de
desenvolvimento humano, moderna, fraterna e inovadora.

Mas para isso, é preciso que todos mudem e assumam suas parcelas de
atitudes e de responsabilidades em direção às mudanças de ser e agir tão
necessárias e amplamente cobradas. Ao mesmo tempo em que entidades do setor
organizado, cidadãos e nichos de autoridades se manifestam e se integram a essa
luta que possa recuperar o Brasil, segmentos como o da Justiça se mostram
imprescindíveis para que essas transformações tão sonhadas ocorram.

Os problemas do País são inúmeros e históricos, alguns deles crônicos e
endêmicos. Só para citar alguns: grave desequilíbrio das contas públicas;
representatividade política confusa e desvirtuada em função do grande número de
partidos e riscos à democracia pelo incentivo a lógicas ideológicas que há
muito provaram não dar conta de resolver a bom termo os graves paradoxos
modernos. Por isso, é preciso que as entidades empresariais, que representam
alguns dos mais importantes fundamentos da ética e do respeito às leis,
integrem-se e unam-se aos debates e à busca de soluções práticas e duradouras.

Em grande dose, o particular período de dificuldades tem raízes na
atual estrutura político-partidária e o agudo grau de corrupção nas mais
diferentes esferas da vida nacional. Ela está principalmente intrincada nas
estruturas públicas do poder. O elevado número de partidos faz com que alianças
imensas sejam costuradas para criar, além das chances reais de eleição, gestões
minimamente governáveis. Em vez de respeitar o eleitor e os projetos nacionais,
o que se vê em Brasília e em outras instâncias legislativas são verdadeiros
balcões de negócios.

Com interesses tão difusos, é difícil colocar em prática programas de
governo consistentes e realmente antenados às aspirações de eleitores e dos
brasileiros. A lógica do Estado máximo é extremamente prejudicial ao conjunto
social. Além de cara e ineficiente, a máquina pública assume a condição de
“gestora” da vida dos cidadãos, o que é um grande equívoco. No mundo moderno o
que se busca é exatamente o contrário: estruturas de governo enxutas e pouco
intervencionistas, que deem liberdade econômica às empresas e aos cidadãos e
valorizem os princípios da democracia.

O Brasil vive de forma inédita um extenso e lamentável período de
dramas provocados por escândalos, excessos governamentais e improbidade
administrativa. A reforma política, com a redução do número de partidos, e com
a disseminação da consciência cidadã do voto, precisa se aliar a toda forma de
combate à corrupção. Há consensos, entre outros, pelo fim da reeleição e pela
unificação dos pleitos. Medidas essas que trariam economia, transparência e
mais respeito aos embates comuns ao processo democrático.

Além
de gestão e honestidade na administração do dinheiro público, no combate à
corrupção e na aprovação de reformas amplas e coerentes, as entidades que
subscrevem esse documento pedem a valorização da democracia, o respeito às leis
e investimentos sérios em educação de qualidade. Esse é um conjunto de ações
que, associados a outros igualmente importantes, pode desencadear as mudanças
tão urgentes e necessárias para fazer do Brasil o país que tanto sonhamos e
merecemos ter. Que ao fortalecer a seriedade, a ética e a moral, o Brasil
trilhe por um caminho de respeito, de valor ao que é certo e de gestão responsável
do dinheiro do contribuinte.